Resenha: Legend (Marie Lu)

LegendNo ano 2130 o que era o oeste dos Estados Unidos se transformou na República, uma nação militarizada em constante guerra com seus vizinhos, as Colônias.

Na República o futuro de todas as crianças é decidido aos dez anos de idade. Elas são submetidas a uma prova que testa as aptidões intelectuais e físicas. Os jovens mais inteligentes são recrutados pelo governo para servir a pátria e os que não conseguem passar na prova são enviados para os campos de trabalho.

June é um prodígio, a única pessoa da história da República que conseguiu alcançar a pontuação máxima na prova de aptidões. Day foi reprovado e se transformou no criminoso juvenil mais procurado do país. Ele é uma lenda. Tão esperto e ágil quanto um delinquente poderia ser.

Mas Day e as Colônias não são a única preocupação da República. Ela ainda precisa tomar cuidado com os rebeldes Patriotas e com a Praga, uma doença mortal que se alastra pelos setores mais pobres da nação.

As histórias de June e Day se encontram quando o irmão da garota, um capitão da República, é assassinado. June, determinada a vingar a morte do irmão, vai a procura do homicida, que possivelmente é Day.

Além dos protagonistas somos apresentados aos personagens Metias, irmão da June; Tess, uma garota esperta que está sempre ao lado de Day; o soldado Thomas, um amigo e subordinado de Metias; e a Comandante Jameson, cruel e calculista. Outros personagens aparecem brevemente neste primeiro volume, como é o caso de Chian, Primeiro Eleitor (líder da República), Anden (filho do primeiro Eleitor) e Kaede, uma lutadora de Skiz – uma luta proibida apreciada especialmente nos setores marginalizados.

Existem algumas cenas de romance no livro, mas o foco principal está na ação, no perigo de viver nas ruas, nas mentiras, no abuso de poder e a manipulação ideológica do governo.

O livro é curto, dá para terminar em um ou dois dias. Por ser um livro pequeno, senti falta de mais detalhes. Acho que as 256 páginas de Legend foram insuficientes para dar a dimensão da história ao leitor. A autora poderia ter explorado mais os pontos opressores de um governo militar totalitarista, além das mudanças sociais do período.

A narrativa é bem simples e fluída e os capítulos se alternam entre a visão de June e Day. Isso foi bom por que nós temos um panorama estendido da história.  A diagramação é um dos pontos fortes. As páginas são amarelas, – que facilitam a leitura-, e têm as bordas escurecidas, dando a impressão de que o livro foi chamuscado. A editora está de parabéns.

Eu quero muito saber como termina essa história. O segundo livro da série foi publicado, no ano passado, nos Estados Unidos com o título Prodigy e estava previsto para ser lançado no Brasil ainda no primeiro semestre de 2013.

Resenha: Preciosa (Sapphire)

livro-preciosaClaireece Precious Jones é uma garota de 16 anos, pobre, obesa, feia, negra, analfabeta, teve uma filha aos 12 anos – que tem Sindrome de Down -, e está grávida do segundo filho, fruto de estupros sofridos por anos pelo próprio pai. Precious gosta de matemática, mas não é uma boa aluna, por isso durante toda a vida escolar se sentou na última cadeira da sala de aula, mora com a mãe, que é alcoólatra, e de quem sofre abusos físicos e psicológicos. É uma vida bastante ruim, mas Precious tem um sonho: dar uma vida melhor para ela e seus filhos, e é por isso que ela decide acreditar no conhecimento, na escola e na educação.

Essa é uma história real, não real por que Precious exista realmente, mas por que ela é a representação de milhares de outras mulheres e meninas que sofrem com uma família desajustada, com abusos sexuais e com a omissão da sociedade.

É o retrato nu de uma existência traumática. É uma história chocante, de teor forte, cheia de dor e visões alarmantes, com descrições que beiram atos de horror. É um livro extremamente realista. Feito para quem tem o estômago forte. Precious conta com tantos detalhes os problemas que as vezes o leitor sente asco, como no caso dos lances onde a garota narra os abusos sexuais que sofreu na infância e adolescência.

No entanto por mais que Precious tenha vivido mais intensamente do que as garotas de 16 anos que conhecemos, ela continua sendo uma adolescente que ainda carrega uma inocência velada, que quer ser aceita, que quer aprender a ler, quer ser bonita, quer ter um namorado e uma família que cuide dela.  E ela se pergunta o tempo inteiro, por que não se encaixa nesse mundo.

Um dos principais atrativos desse livro é o desenvolvimento da narrativa. É importante lembrar que estamos lendo o diário de Precious, então no início a história é um amontoado de frases com erros de grafia e concordância, que transmitem as dificuldades que a garota enfrenta. Mas conforme o tempo passa esse cenário vai mudando.

A propósito, esse é um dos aspectos que achei mais interessantes no livro de Sapphire, perceber a evolução intelectual de Precious. Ela não se transforma em um gênio, ou alguém com talento especial para alguma coisa incrível, mas é possível notar o progresso na escrita e no conhecimento sobre assuntos diversos. É como se em cada página ela desabafasse com mais consistência os problemas, ainda que eles não fossem tão fáceis de serem resolvidos.

É a história de  uma busca incansável pela felicidade. Precious é vítima de uma sociedade que elimina quem não se enquadra e tenta ter, na medida do possível, uma vida normal.

A editora do livro disponibilizou o primeiro capítulo para quem quiser ler.

Resenha: As Vantagens de Ser Invisível (Stephen Chbosky)

As-Vantagens-de-Ser-Invisível-nova-edição-da-Rocco“As Vantagens de Ser Invisível” não trata de questões previsíveis da adolescência, na verdade até fala dos conflitos escolares e a primeira paixonite, mas vai alem disso. Por trás da fachada de “historia de um adolescente introvertido”, existem discussões muito pertinentes: drogas, sexo, homossexualidade, gravidez na adolescência e transtornos psicológicos.

A historia é contada do ponto de vista de Charlie, um garoto de 15 anos que escreve cartas a um “amigo”. Então, o entendimento pode ficar um pouco limitado, porque o leitor só sabe aquilo que Charlie escreve.

Charlie é extremamente tímido, atormentado pelo suicídio do melhor amigo e depressivo pela morte fatídica da tia favorita, quando ainda era criança, e basicamente, se relaciona apenas com a família.

Ele acaba de se tornar um calouro da High School, o ensino médio americano, e tem esperanças de conseguir amigos na nova escola.Logo nos primeiros dias de aula conhece Patrick e Sam, meio irmãos e veteranos na High Shool. Patrick é gay, tem personalidade expansiva e vive um romance com o Brad, jogador do time de futebol que se recusa a assumir a homossexualidade. Sam é fofa, inteligente e meio maluquinha também. Ela não tem uma fama muito positiva, era conhecida como “a vadia da escola”, mas dá pra entender os motivos dela.

Então, esta é minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.”

Charlie se apaixona por Sam a primeira vista, e tão logo também é desenganado pela garota, que diz a ele para não criar esperanças de um futuro relacionamento, ela prefere caras mais velhos. Além do trio, outros personagens rondam as cartas de Charlie: o professor Bill, que costuma emprestar livros; Mary Elizabeth, uma menina desequilibrada com que ele tem um curto relacionamento; e a própria família.

As cartas de Charlie às vezes são confusas, às vezes engraçadas e às vezes dolorosas. Existe nele um tom de melancolia e de ingenuidade que me encataram. Às vezes ele é um pouco bobo, mas por outro lado é íntegro, por isso eu o anistiei (rs).

“Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas. E essa era ótima.”

Nem todo mundo gosta, mas eu achei bom o fato do livro ser escrito em primeira pessoa. Acho que da leveza a historia. Eu gosto também desse estilo carta/diário/primeira pessoa porque aguça a imaginação do leitor.  Toda historia é parcial, portanto acho honesto esse tipo de narração, que manifesta a parcialidade do personagem, com altos e baixos, humores e descontrole.

Uma coisa deixou a desejar, – talvez esse fosse o objetivo do livro-, mas fiquei curiosa pra saber qual o transtorno psicológico de Charlie. Eu realmente não consegui descobrir. Por um momento pensei que fosse algum tipo de depressão, no entanto, com o final do livro fiquei bastante confusa. Se alguém souber o que Charlie tem, me diga por favor!! rs

Como eu posso resumir “As Vantagens de Ser Invisível”? Acho que é um livro curto que tem muito a dizer. É honesto e primoroso.

“Eu me sinto infinito.”

Eu ainda não vi o filme e estou ansiosa pra assistir.

Resenha: A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)

A Batalha do Apocalipse - Fantasia BRMinha ultima aquisição e leitura. A Batalha do Apocalipse me surpreendeu positivamente. Fiquei especialmente feliz por ser de um autor brasileiro, Eduardo Spohr. A obra foi lançada em 2010, e ficou entre os mais vendidos daquele ano, mas só foi parar na minha estante em meados de 2012. Ele ainda esperou bastante pra ser lido também rs, já que eu estava entretida com As Crônicas de Gelo e Fogo.

Esse livro, como o próprio nome sugere, fala da Batalha do Apocalipse, que é o confronto final entre o “bem e o mal”. Achei muito interessante o fato de o autor ter misturado elementos cristãos com personagens sobrenaturais da cultura celta, chinesa, grega e afins. Spohr cita, inclusive, Aradia, a Terra das Fadas.

Na história, Deus está gozando do seu sétimo dia de descanso no monte Tsafon, assim como no registro bíblico, que diz que Deus criou o mundo em seis dias e depois descansou. Só que esse sétimo dia já dura bilhões de anos e corresponde a TODA historia humana. Enquanto o sétimo dia ainda não acaba, e Deus usufrui do seu “cochilo”, quem toma conta da terra são os Arcanjos Miguel, Gabriel, Rafael, Uziel e Lúcifer.

O mais poderoso deles é Miguel. Ele tem a personalidade enérgica e ciumenta. Chega a ter raiva de Deus por ele ter dado aos homens alma e o livre-arbítrio. Refere-se aos humanos como “criaturas de barro” e esse ódio faz com que ele queira destruir os homens. Na tentativa de aniquilar a raça humana, o Arcanjo lança uma serie de desastres sobre a terra: dilúvio, era do gelo, terremotos, guerras e pestes. Tudo utilizando da palavra de Deus, que esta dormindo, para fazer a sua própria vontade.

Muitos anjos ficaram descontentes com a política de Miguel, mas nenhum tem força suficiente para combater o Arcanjo. Insatisfeitos, eles tentam se aliar a Lúcifer, que também é muito poderoso. Nessa primeira batalha, esses anjos acabam sendo expulsos do paraíso e passam a ser chamados de Anjos Renegados. Um deles é Ablon, o protagonista da história.

Lúcifer ainda tenta combater Miguel mais uma vez, mas é mandado para o Sheol (inferno). Enquanto isso, os outros Arcanjos se separam. Rafael vai para outra dimensão assim que inicia o sono de Deus, e ninguém sabe do seu paradeiro. Uziel fica ao lado de Miguel e Gabriel se asila na Cidadela de Fogo, lar dos Ishins, que são anjos que coordenam as forças da natureza. Dá inicio então a uma guerra civil entre os anjos Miguel, Gabriel e Lúcifer.

Enquanto isso, Ablon o anjo renegado está na terra, mais especificamente no Rio de Janeiro, esperando pelo Apocalipse, que se aproxima, para enfim obter sua vingança contra Miguel e tentar salvar a humanidade.

O que mais me interessou no livro foi a humanização dos personagens. Além de bem desenvolvidos, não há em nenhum deles um dualismo ensimesmado entre o bem e o mal, apenas pontos de vistas diferentes. E todas as visões são apresentadas ao leitor.

Outra coisa interessante é a passagem histórica do enredo, que por sinal é muito bem escrita. O autor vai desde a Babilônia, Roma, Grécia, Jerusalém, China antiga, Europa na Idade Media, até os das atuais.

Eu gostei muito dos flashbacks também. Acho o máximo essa oportunidade que o autor oferece de aguçar a imaginação do leitor, quando se remete a tempos antigos e eras sobre as quais costumamos ter poucas informações nos livros escolares.

Os apaixonados por mitologia vão gostar.

Saiba mais sobre A Batalha do Apocalipse

Resenha: A Cidade do Sol (Khaled Hosseini)

Essa historia é uma das mais emocionantes que já li. Ela tira o nosso fôlego e arranca milhares de lágrimas. E é por isso que eu me pergunto: Porque ESSA não é a obra mais conhecida, amada e adimirada de Khaled Hosseini. Na minha humilde opinião, “A cidade do sol” supera e muito o livro mais conhecido do autor “O caçador de pipas”.

Chega de revolta, vamos à resenha rs

O livro conta a história de duas mulheres afegãs. A primeira, Mariam, que nasceu de um relacionamento fora do casamento entre Jalil, um homem rico, e Nana, uma empregada. Isso significa que Mariam é uma harami (bastarda). Jalil assume a menina como sua filha, mas para não desonrar a família compra um casebre, longe da cidade, e “acomoda” as duas. Nana é uma mulher amargurada e triste. Tenho a impressão de que a essência dela não é essa, mas a vida tratou de ensinar essa mulher a não confiar nas pessoas.

Nana ocupa pouco tempo da história. Quando Mariam faz 15 anos, ela se mata, deixando Mariam sozinha, a não ser pelo pai, Jalil, que vive na cidade com esposas e filhos, que ao contrário da menina do casebre, vivem confortavelmente em uma casa grande e cheia de empregados. Ao chegar na casa do pai, Mariam é mal tratada pelas esposas de Jalil e, contra a vontade é obrigada a se casar com um sapateiro chamado Rashid, 30 anos mais velho que ela. Casados, eles vão morar em Cabul.

O único motivo pelo qual ele se casa com a menina Marian é a vontade de ter filhos. Ou melhor, filhos homens. Rashid é um homem extremante cruel e ao descobrir que a esposa é estéril passa a desprezá-la. É aí que começa a sessão de violência gratuita que chega a dar nós na garganta.

Marian já é uma mulher, que carrega muitas marcas da vida, quando conhece Laila, 19 anos mais nova. Ela é filha de um professor universitário, e como um intelectual pensava de forma diferente do restante do mundo afegão. Ele sempre a garantia, “Você pode ser o que você quiser”.  Diferente de Mariam, Laila fora instruída, chegou a freqüentar a escola e nutria uma paixão adolescente por Tariq, seu amigo de infância.

Á essa altura a guerra está a todo vapor no Afeganistão, especialmente em Cabul. Os bombardeios são constantes e todos os dias pessoas são mortas nos combates. É desse jeito que os pais de Laila morrem. Sozinha, ela é acolhida por Mariam e Rashid, que a obriga a se casar com ele e conceder os filhos que ele tanto deseja e que Mariam não pôde dar.

O desenrolar da história apresenta as transgressões pelas quais as mulheres afegãs passam. Violência de todas as espécies. Ela são humilhadas, abusadas sexualmente. Rebaixadas ao pó. É cruel a maneira com que o fundamentalismo afegão enxerga as mulheres.

Khaled Housseini narra a história em 3ª pessoa com maestria. As cenas são contínuas e não há repetição do enredo. Enquanto Marian sofre uma ação, o resultado é visto pelo ponto de vista da Laila. O que dá dinâmica ao texto. As duas personagens sofrem a mesma violência, mas elas enxergam os abuso de forma diferenciada.

Uma das coisas que mais gostei no livro foi a passagem histórica vivida no Oriente Médio. Khaled nos conta como é a guerra de um jeito mais humano, do ponto de vista daqueles que fazem a experiência de uma guerra todos os dias. Os corações moles, (como eu) , não vão conseguir ler o livro sem aquele nó na garganta. Ainda mais porque sabemos que essa guerra não é uma obra de ficção.

O regime talibã é exposto em sua sutil brutalidade. Ver o impacto de um conjunto de normas que transformam a mulher num mero acessório do homem é chocante e revoltante, porém esclarecedor. Não há como não torcer para que ambas possam sair daquela claustrofobia fundamentalista e esperar a cada página que elas alcancem a liberdade.

Jogos Vorazes – Matar ou Morrer

Apesar de ser alucinada por livros/séries eu ainda não li a sensação do momento. Jogos Vorazes. Mas… Meu amigo, Edu, o nerd mais lindo dessa vida, leu, adorou e fez uma resenha do livro.

Curtam.

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A luta pela sobrevivência sempre foi um tema bastante discutido na sociedade, mas apenas como uma forma de entender a evolução do ser humano e, consequentemente da própria sociedade. Jogos Vorazes veio para mudar isso.

Suzanne Collins, uma americana que criava programas para o canal infantil Nickelodeonviu sua carreira deslanchar tanto na literatura como no cinema  ao juntar dois gêneros totalmente opostos enquanto tentava assistir TV: Os Clichês dos Reality Shows e os Horrores da Guerra do Vietnã.

Tudo começa quando um Estados Unidos pós-Apocalíptico é dividido em 13 Distritos, um dos quais se rebela contra seu regente: A Capital. Devido a essa Rebelião em que se acarretaram diversas consequências, surge a pior delas: Os Jogos Vorazes (Hunger Games originalmente). Os Jogos são uma forma sádica e até irônica de relembrar aos distritos restantes que o poder é detido apenas por um, no caso, pela Capital (que, diga-se de passagem, exterminou o Distrito 13),Poder esse que impede que os demais distritos escapem da miséria em que se encontram e evoluam nas suas condições de vida e trabalho. É escolhido um casal de cada distrito para lutarem nos Jogos, e assim tudo começa.

É quando, na 74º edição desses Jogos, Katniss Everdeen, uma jovem Caçadora ilegal do Distrito 12 se voluntaria para lutar no lugar de sua irmã mais nova, Primrose, de apenas 12 anos de idade. Daqui pra frente tudo que Katniss conhecia do mundo e da vida começa a ser questionado, toda sua vida, triste, mas estável fica pra trás, como numa verdadeira Guerra.

Jogos Vorazes é mais do que uma obra infanto-juvenil “legalzinha”, ela reflete valores, angústias, medos, e um ponto forte é a crítica à sociedade, muito bem feita por sinal, e SIM! Também há romance nessa série, mas não espere coisas piegas nem tão profundas nesse sentido, pois o foco é outro: Lutar.

Assistam o trailer do filme: