Três clássicos nacionais que merecem ser lidos

Biblioteca Nacional

“Ler clássicos não é um dever, é um direito”, segundo a presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ana Maria Machado. Ana Maria tem inclusive um livro de titulo “Como, e por que ler os clássicos universais desde cedo”, em que ela assinala o caminho para se aventurar no mundo dos bons livros.

Infelizmente, em geral, a maioria das primeiras experiências com clássicos são traumáticas. Os professores empurram um “Dom Casmurro” goela abaixo dos alunos e espera que eles concordem que Machado de Assis é um bom autor (ele é um autor maravilhoso!), quando só o que desejam é jogar o livro pela janela. Além, é claro, de desejar que exista uma adaptação cinematográfica da obra, pra assistir e conseguir fazer a prova.

Não sou nenhuma especialista em educação, mas não é preciso ser pra saber que a leitura é abordada de modo equivocado nas salas de aula. Um aluno de ensino fundamental/médio dificilmente terá amadurecido ao ponto de ler uma obra como “A dama das camélias” ou “Grande Sertão Veredas”. Ele não vai entender nada, vai achar chato e nunca mais vai querer ler na vida. Uma pena. Um grande pecado.

Enquanto essa abordagem da leitura na escola não evolui, eu concordo com o que disse o escritor cubano Ítalo Calvino, “Clássicos são equivalentes ao universo”. São livros tão impressionantes, em forma e conteúdo, que mesmo quando falam de microcosmos, revelam sentido para a existência humana. Não importa o tempo ou o idioma, eles são retratos universais de significados. Justamente por isso resistiram ao tempo, são adaptados para o cinema, teatro e televisão e inspiram outros autores.

Separei três clássicos nacionais que li (e reli) amei e creio que todo mundo precisava ler. Relembro que essa lista, como todas as outras listas do blog, tem caráter essencialmente pessoal, até porque eu não li tantos clássico ao ponto de considerar quais são os melhores ou piores, nem ao menos sou especialista em literatura rs.

Vamos às obras!

Capitães da Areia (Jorge Amado – 1937)

capitaes

Meu queridinho!

Já li três vezes e também já citei em outras tantas ocasiões, em cartas e até em trabalhos. Eu me sinto mais brasileira depois de ler uma obra desse cacife. Capitães da Areia é um livro de Jorge Amado publicado em 1937. Conta a história dos moleques das ruas de Salvador. Moradores de um trapiche, amigos de um padre e de uma mãe de santo.

A obra é tão envolvente que eu consigo ver Pedro Bala, o Sem-pernas, o Professor, o Volta-Seca, o Gato e João Grande. Eu consigo andar no Carrossel iluminado e fico com o coração apertado toda vez que eles enfrentam algum perigo. Eu sinto que faço parte daquele mundo e só quero que tudo dê certo pros moleques.

Os Capitães da Areia é a caracterização de heróis, no estilo Robin Hood. É Uma história de lutas, conquistas, bravura, de amor entre homem e mulher – apesar de serem somente meninos. É uma historia de abandono, consternação, mas também de mudança de destino, de fé, de esperança em dias melhores, de união e principalmente de amizade.

A prefeitura de Itabuna, cidade onde se passa a história dos Capitães da Areia, disponibilizou o livro em pdf.

A Viuvinha (José de Alencar – 1860)

O romance de José de Alencar foi publicado em 1860 e é classificado como “romance urbano” ou “de costumes”, porque retrata atitudes da sociedade carioca à época do Segundo Reinado. É recheado de flerte, moral e religiosidade.

Conta a história dos apaixonados Jorge e Carolina, que se preparam para o casamento. Ele, um jovem ex-rico, que após a morte do pai gasta toda a fortuna em bordeis e casas de jogos, mas que se arrepende de sua vida boemia ao conhecer Carolina. Ela, uma moça recatada, que, aos quinze anos, tem um namoro respeitoso, vigiado pela mãe, como ditava a sociedade da época.

A história de verdade começa com o suicídio de Jorge no dia do casamento, mais especificamente na noite de núpcias. A partir daí, somos surpreendidos com elementos como o acaso, o mistério, o suspense e o “final feliz”. É um romance bem curtinho, de poucos personagens e com uma narrativa muito fluida e fácil.

A Viuvinha já esta em domínio publico. Para ler é só baixar.

Perto do Coração Selvagem (Clarice Lispector – 1943)

Eu gosto de outros livros da Clarice Lispector, mas vou citar esse porque foi um dos primeiros que li.Perto coraçao Perto do Coração Selvagem foi publicado em 1943, quando Clarice tinha apenas 20 anos.

Conta a história de Joana e abrange dois períodos principais da vida da personagem: a infância e o inicio da vida adulta. Quando criança, vivia com o pai, era sonhadora e absorta. Perdeu a mãe quando era ainda muito pequena. Com a morte do pai, Joana vai morar com os tios, e lá descobre que esse não era o futuro que idealizava quando garota.

Apesar de ter um ritmo fluido, a leitura pode se tornar um pouco difícil pela narrativa ser lúdica. Na história as cores se misturam, Joana é ora de um jeito ora de outro, e Clarice desafia o leitor a desvendar o que o espera na próxima página.

 

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17 comentários sobre “Três clássicos nacionais que merecem ser lidos

  1. De fato, os clássicos geralmente são apresentados para a gente em momentos ‘nada’ propícios. Fui ‘obrigada’ a ler ‘Dom Casmurro’ com 14 anos. Achei um tédio! Não li nem metade e ainda fui advogada de defesa de Capitu em um júri quea professora montou na sala de aula. E o pior de tudo, me saí super bem! kkkk

    Ótimo post ;**

  2. Olá, estudo Letras e meu tcc é sobre o jovem atual e a leitura. Gostaria de saber se posso citar este post e seu nome no meu trabalho 🙂

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