Romances de Banca

Um dos meus primeiros contatos com a literatura foi através dos romances de banca. Minha mãe tinha uma mala entupida de livros “Bianca, Sabrina, e Julia”. Li meu primeiro “Sabrina” com uns 12 anos e me lembro de questionar o nome da personagem, que não era Sabrina, como o titulo do livro me dizia, mas Caroline.

Resolvi então descobrir porque as personagens de romances de banca nem sempre tem o nome do titulo do livro.

Sabrina

Os primeiros romances

Os primeiros romances de banca apareceram no Brasil nas décadas de 40 e 60, fase em que recebiam o nome de Coleção Biblioteca para Moças. O nome, um tanto quanto preconceituoso, deixou de ser aceito no momento em que a sociedade foi evoluindo, e as mulheres, consequentemente, assumindo um papel mais significativo e opinativo em suas comunidades. A Nova Cultural, responsável pela publicação dessas obras, escolheu então classificá-las de acordo com a peculiaridade de cada narrativa, optando por utilizar nomes femininos comuns da época (Sabrina, Julia e Bianca) para dar vida e nome a suas classes literárias.

O fato é que, segundo a Nova Cultural, era preciso encontrar uma forma simples e marcante para classificar essas obras, Juliajá que, somente pelo nome do autor seria difícil estipular um padrão para a narrativa. Desta forma, ao escolher os nomes Sabrina, Bianca, Julia, e posteriormente, Mirella, a editora optou por nomes que poderiam definir um padrão para as histórias, de forma que as leitoras, ao ver os selos e suas denominações, saberiam exatamente o que esperar de cada uma desses livros.

“Jessica Mathews, Karen Field, Lynn Erickson e Susan Napier soam de alguma maneira familiar? A resposta obviamente negativa tem uma explicação simples: quem faz o sucesso dos romances não são seus autores, mas uma estrutura narrativa que raramente muda e obedece a certas regras tácitas. Segundo a Nova Cultural, todos os romances da linha têm em comum a característica romântica, porém cada série tem identidade e perfil específicos (Flávia Gusmão)”.

Sendo assim, cada nome pode receber a seguinte qualificação.

Bianca: Os relacionamentos amorosos são descritos de maneira sutil e poética;

Sabrina: mostra conflitos do dia-a-dia gerados por mal-entendidos e ciúme, sempre coroados com um final feliz;

Julia: as aventuras são mais impetuosas e suas heroínas refletem melhor a mulher moderna, mas sonhadora;

Mirella: retratam uma mulher decidida e sexy.

Simples assim! Só não consigo acreditar que esses nomes foram selecionado por acaso. Quem sabe os editores da período conheciam mulheres com esses nomes que se encaixavam nas características que procuravam.

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2 comentários sobre “Romances de Banca

  1. ADOREEEEEEEEEEEI! Esses romances fizeram parte da minha adolescencia… Lembranças boas. Tô até pensando em sair daqui, correr em uma banca, encher os braços dos livrinhos e passar uns dias bem adoçada! hehehe

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